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04/12/2019 08:05 Terra noticias

Poderiam ser estes os restos da Arca de Noé?

A história bíblica do grande Dilúvio e da Arca de Noé é provavelmente uma das narrativas mais conhecidas no mundo. Com significado religioso para cristãos, muçulmanos, judeus e membros da fé Bahai, a história de Noé conseguiu sobreviver por milhares de anos, fato que leva muitos a acreditar que uma inundação global seja mais do que apenas um mito.

Mas se isso for verdade, eis a questão: onde está a prova arqueológica? Poderia uma arca antiga estar em algum lugar do mundo esperando para ser encontrada?

Esta é a pergunta que uma expedição se propôs a responder e, o que eles descobriram, pode mudar a maneira de ver o mundo…para sempre.

Dilúvio

Até o século XVIII, era aceita a história bíblica do Dilúvio como um relato preciso de eventos históricos. Ao longo dos anos, no entanto, a medida que o conhecimento científico se expandiu, a maioria das pessoas passou a ver a narrativa bíblica do Dilúvio como simbólica, e não factual.

Mas, embora a ciência nos diga que a história da Criação descrita na Bíblia não combina totalmente com o que sabemos cientificamente, mesmo os céticos mais entusiastas precisam lidar com o fato que faz com que algumas pessoas acreditem que a Arca de Noé ainda está lá fora, esperando ser encontrada.

O Monte Ararat

Na narrativa bíblica do Dilúvio, depois que as chuvas terminaram e as águas começaram a diminuir, Noah pousou sua Arca nas “montanhas de Ararat” onde, depois de liberar um corvo e uma pomba, ele finalmente abriu a embarcação gigante e soltou o resto dos animais que ali estavam.

Das encostas da montanha, os animais se espalharam por toda a terra vazia e, junto com Noé e sua prole, a repovoaram.

Mas enquanto permanece sem resposta a questão de saber se a Arca de Noé realmente aterrissou em Ararat, uma coisa é verdade: o Monte Ararat é real, e as pessoas que vivem perto dele afirmam que é o local de descanso final da Arca, por séculos. É nesse local que, em 2009, uma expedição chegou com a esperança de descobrir vestígios arqueológicos da história bíblica.

Só que eles não foram os primeiros.

O pico mais alto da Turquia - O Monte Ararat

O Monte Ararat pode ser encontrado no extremo leste da Turquia, perto das fronteiras iraniana e armênia. O pico mais alto da Turquia é o principal símbolo nacional da Armênia, sendo considerado pelos armênios uma montanha sagrada.

Com 5.137 metros de altura, Ararat é um dos 50 picos mais proeminentes do mundo e ostenta neve perpétua, fato que significa que, apesar das lendas da Arca ter pousado em algum lugar nas encostas, o local permaneceu praticamente inexplorado ao longo dos anos. A primeira ascensão registrada ao seu cume ocorreu apenas em 1829, embora as pessoas tentassem atingir seu pico desde pelo menos a Idade Média.

Devido ao seu status lendário, muitos tentaram escalá-lo e encontrar a Arca mas, até recentemente, ninguém achou nada de muito valor.

Expedições anteriores

Talvez a pessoa mais famosa por ter explorado o Ararat na antiguidade tenha sido Marco Polo, que descreve a montanha em seu famoso livro “As Viagens de Marco Polo”.

Mas enquanto as alegações feitas por quase dois milênios de que a Arca estaria no Monte Ararat "para todos verem", a exploração à montanha começou apenas no século XIX.

Em 1829 o Dr. Friedrich Parrot, que havia escalado a montanha, escreveu que "todos os armênios estão firmemente convencidos de que a Arca de Noé permanece até hoje no topo do Ararat e que, para preservá-la, nenhum ser humano tem a permissão de abordá-lo".

Quase cinquenta anos depois outro explorador, chamado James Bryce, faria uma descoberta que ecoaria por todo o mundo.

A descoberta de James Bryce

Em 1876, James Bryce, professor de Direito Civil em Oxford, quem também trabalhou como historiador, estadista, diplomata e explorador, começou a escalar o Monte Ararat em uma missão de investigação.

Embora ele não tenha conseguido chegar ao topo, ele conseguiu subir além da linha das árvores e foi lá, na encosta fria e desolada, que ele encontrou algo que abalaria profundamente a comunidade de pesquisa. 

A viga de madeira

Quando Bryce subiu ao Monte Ararat, olhou para os lados e não viu nada além de pedras e pedregulhos ao seu redor. Mas enquanto ele continuava a subir, de repente, algo chamou sua atenção. Uma forma que ele esperava ver, mas não ousava acreditar que encontraria.

Lá, entre as rochas, onde era muito frio e difícil para qualquer coisa crescer, ele encontrou uma antiga viga de madeira. Era muito grande e pesada para ter acabado de ser carregada para lá, e ninguém tinha subido à montanha em anos. Bryce concluiu que não poderia ser mais do que uma parte da Arca e, ao retornar à Inglaterra, sua descoberta anunciaria uma nova era de expedições à montanha. Mas foi apenas em 2009 que algo de interesse seria realmente encontrado.

Evidências falsas

A descoberta de Bryce foi emocionante, mas de modo algum provou que a Arca realmente tinha sido encontrada.

Ao longo dos anos, muitos exploradores alegaram ter encontrado a Arca, ou evidências dela, e mais tarde foi comprovado que estavam errados. Porém, embora a maioria das expedições simplesmente não tenha fornecido evidências aceitáveis, uma expedição prolongada e em andamento convenceria por um tempo de que a Arca finalmente fora encontrada na sua totalidade.

Na década de 1960, um homem chamado Ron Wyatt viu uma foto de um local situado a 29 km. ao sul do pico do Monte Ararat que apresentava uma estranha semelhança com a estrutura de um barco.

O Durupınar

No relato bíblico do Dilúvio e da Arca de Noé é citado que o local de descanso final da Arca de Noé era nas montanhas de Ararat. No entanto, existe apenas um monte Ararat no mundo. Então, como isso pode ser explicado?

Enquanto que muitas pessoas acreditam que a Arca realmente repousa sobre o pico do Monte Ararat, alguns estudiosos da Bíblia sustentam que Ararat era a região inteira na qual o moderno Monte Ararat reside, e que a Arca poderia ter sido colocada em qualquer um dos muitos picos das cadeias montanhosas da região.

Um desses picos, situado a 30 km. ao sul do Monte Ararat, é conhecido como o Durupınar, e quando você olha para ele, é impossível negar que tanto sua forma quanto seu tamanho correspondem ao que acreditamos ser a Arca.

A intenção de Ron Wyatt era provar que esta era, de fato, a Arca.

Juntando-se à busca

Em 1985, Wyatt se juntou a David Fasold, ex-oficial da Marinha Mercante dos Estados Unidos e especialista em salvamento, além do geofísico John Baumgardner. Assim que Fasold viu o local, ele exclamou que era, aos seus olhos, um naufrágio. Usando tecnologia controversa conhecida como “gerador de frequência”, Fasold e a equipe afirmaram que suas varreduras revelavam uma estrutura interna regular com um comprimento da formação de 538 pés

(164 m.), próximo aos 300 côvados (157 m., 515 pés), correspondente à Arca de Noé na Bíblia se for usado o côvado egípcio antigo de 20,6 polegadas (0,52 m).

Mas foi outra descoberta muito mais tangível que realmente os empolgou.

As pedras Drogue

Enquanto examinavam o campo em busca de evidências adicionais, Wyatt e Fasold fizeram uma descoberta interessante: pedras antigas com grandes buracos esculpidos neles. Fasold postulou que eram drogues, um tipo de âncora que grandes navios lançam até hoje durante tempestades para ajudar à estabilidade e manter o curso diante de ventos fortes e correntes velozes.

Devido às suas origens extremamente antigas, e como as pedras foram encontradas a muitos quilômetros de qualquer grande corpo de água, Fasold concluiu que elas deviam pertencer à Arca. Mas, apesar da emocionante descoberta, sua teoria seria rejeitada.

Mas, o que poderia fazer alguém acreditar que a Arca de Noé era real?

Uma teoria

Apesar dos argumentos convincentes de Fasold e Wyatt, especialistas nas áreas de Geologia, Geofísica e Arqueologia rejeitaram suas descobertas logo após serem reveladas.

O "gerador de frequência" de Fasold foi descartado pelos especialistas como nada mais do que uma "haste sonora" sofisticada, e as pedras drogue, apesar da forma atraente, mostraram-se parte de uma coleção muito maior de pedras na área do que sinais pontuais.

Com essas hipóteses refutadas, toda a teoria do Durupınar se desfez.

Mas outra descoberta no pico principal do Monte Ararat levaria a um interesse renovado na busca pela Arca antiga.

Evidências de suporte

Desde a época em que os humanos inventaram a escrita, se não antes, houveram histórias de um deus, ou deuses, decidindo inundar o mundo para extinguir toda a vida terrestre dele.

Embora as razões das divindades para acabar com a humanidade variem, seu método é sempre o mesmo: águas engolindo a terra.

Seja Utnapishtim na babilônica Epopéia de Gilgamesh, ou a história suméria de Ziusudra, ou o hindu Satapatha Brahmana no qual Vishnu adverte o primeiro homem, Manu, de uma inundação iminente e lhe diz para construir um barco, ou o mito grego de Timeu, no norte, ou o mito hopi americano de entrada no quarto mundo, ou o mito chinês do grande dilúvio, parece ser que, onde quer que você olhe, há algum tipo de tradição escrita ou oral sobre uma inundação que destrói a civilização.

Todas essas histórias poderiam ser coincidências ou apontam para alguma outra coisa?

Utnapishtim

Um dia, os deuses decidiram inundar o mundo devido ao excesso de população e extinguir toda a vida da superfície. Ea, um dos deuses, no entanto, advertiu do fato a Utnapishtim e, para evitar perecer no dilúvio, Ea o orientou construir um barco. Utnapishtim reuniu trabalhadores e recursos e construiu uma enorme embarcação de juncos e betume capaz de abrigar "todos os animais do campo", assim como a sua família e aos trabalhadores que o ajudaram.

Pouco depois de terminar de construir o enorme navio de acordo com as instruções de Ea, os céus se abriram e uma violenta tempestade começou a devastar a terra.

A tempestade

Enquanto Utnapishtim estava a bordo da sua arca com toda segurança, junto com sua família, trabalhadores e animais, a tempestade continuava furiosamente lá fora, fazendo até os deuses tremerem.

Finalmente, depois de muitos dias, as chuvas diminuíram e Utnapishtim abriu uma escotilha, liberando um corvo e uma pomba para o lado de fora e, finalmente, colocando a arca em uma montanha.

Esse conto é notavelmente antigo. Foi encontrado no final do século XIX em tábuas de pedra que permaneceram intocadas por milênios, espalhadas pelas antigas cidades do Império Babilônico. Embora anteceda a escrita da Bíblia por muitos milhares de anos, a história, em sua essência, é familiar para a maioria das pessoas.

Uma história contada por milênios

Com base nas tábuas da Babilônia, parece que a história de uma arca e uma inundação catastrófica foi contada de uma forma ou de outra por inúmeros milênios.

Seja através da música, tradição oral ou escrita, há algo sobre a narrativa do Dilúvio que não nos cansam.

Os relatos da história não se limitam apenas a tábuas de pedra antigas e tomos religiosos; a recriação mais recente da história foi no filme de 2014, Noah, dirigido por Darren Aronofsky com a atuação de Russell Crowe.

Mas será que as últimas descobertas sobre o Monte Ararat, depois dos milhares de anos no quais essa história foi repetida, finalmente mudaram a maneira de pensar sobre o dilúvio para sempre?

Discrepâncias

Embora os relatos de enchentes tenham, surpreendentemente, conseguido permanecer praticamente inalterados por milênios, existem algumas discrepâncias entre os relatos, e mesmo dentro dos mesmos.

Na Bíblia, por exemplo, uma passagem afirma que Noé foi instruído a levar um par de todo tipo de animal, enquanto em outra passagem, não muito tempo depois, lemos que ele foi instruído a levar "Sete pares de todo tipo de animal limpo" e “Um par de todo tipo de animal impuro” e “Sete pares de todo tipo de pássaro”, o que significaria que algumas espécies teriam 14 de cada um, enquanto outras apenas dois.

Isso coloca em risco a confiabilidade de toda a questão, mas as descobertas da expedição do ano 2007 podem mudar tudo isso.

A Expedição NAMI

Em 2007, estabeleceu-se uma expedição conjunta entre Turquia e Hong Kong para escalar o Monte Ararat em busca de novas evidências do mito da Arca.

Conhecida como NAMI Expedição, sua busca para encontrar vestígios arqueológicos do navio antigo era ambiciosa, não apenas por causa do mito, mas também porque o tempo nevado da montanha e o terreno faziam a escalada sumamente traiçoeira e perigosa.

Mais do que isso, porém, havia um outro grande problema ao escalar o Ararat; hoje, o Ararat, é uma zona militar altamente regulamentada e fechada.

Perigo! Zona militar fechada

Por causa da altura significativa do Monte Ararat, bem como de sua proximidade com as fronteiras da Turquia com a Armênia, o Azerbaijão e o Irã, o local é até hoje uma importante base militar estratégica.

Isso significa mais do que apenas que é importante para a nação turca; obter permissão para escalar a montanha requer passar por canais militares. Para estrangeiros que desejam escalá-lo, o "visto Ararat" especial deve ser obtido.

Mas mesmo após a concessão da permissão para escalar a montanha, os escaladores devem seguir um caminho predefinido, ou correr o risco de serem atingidos pelas forças militares que lá estão estacionadas.

Continuando as buscas

Depois de eles conseguirem obter a rara Visa Ararat, a expedição NAMI, com a ajuda de um guia local, começou a escalar a montanha elevada.

O tempo estava contra eles, os ventos sopravam em seus rostos, mas eles estavam determinados. Tinham certeza de que havia algo lá em cima, e nenhuma nevasca, tempestade de neve ou qualquer outro obstáculo os impediria de explorar a montanha até que encontrassem uma pista apontando-os na direção da arca.


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