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Opinião

16/05/2012 00:00

Mãos no nosso bolso: Artigo de autoria do jornalista Alexandre Garcia

O Fantástico desse domingo mostrou uma história fantástica sobre a facilidade com que um casal, no Rio Grande do Norte, meteu a mão no dinheiro do povo, com a cumplicidade de dois desembargadores, presidentes do Tribunal de Justiça. Com o esquema, que durou quatro anos, Carla e George compraram uma casa com piscina aquecida à beira-mar, um Mercedes de 650 mil reais, celulares de 15 mil reais, iguais aos usados por Madonna e David Beckham. Na soma, compraram seis carros caros, três casas, um apartamento e dois terrenos. Os dois torraram dinheiro em viagens para a Europa, se hospedando em hotéis do nível do Plaza Athénée, em Paris.
De onde veio todo esse dinheiro? Do seu trabalho, caro leitor, cara leitora, e do meu. Nós estamos na ponta, na origem disso tudo, trabalhando, suando, pagando impostos. No meio do caminho havia precatórios. Dinheiro depositado na Justiça. E Carla diz dominar o sistema de precatórios e é funcionária do Tribunal de Justiça. Formada em Direito, Administração e Economia, ela fora convidada pelo presidente do Tribunal para cuidar dos precatórios que muita gente tem a receber. Um dia, ela encontrou um precatório de um milhão e meio de reais sem solução para ser pago. Ela conta que perguntou ao Presidente o que fazer e que ele teria argumentado que “se o dinheiro não tem dono, o que a gente pode fazer para trabalhar o dinheiro?” Aí ela arranjou laranjas e começou o saque. O presidente assinava a autorização, ela retirava no banco e dividia com ele. Quando terminou o mandato de um presidente, entrou outro que aderiu à falcatrua.
Depois, descobriram que poderiam alterar valores de pagamento. A funcionária que fazia os cálculos recebeu propina para converter, por exemplo, 30 mil em um milhão e meio. Quando foram descobertos e depois de tudo investigado, um juiz decretou prisão domiciliar do casal - na mansão à beira-mar - e os desembargadores foram afastados, mas têm foro especial e negam tudo. Será que ao fim de tudo haverá punição e devolução do dinheiro do público? Os tais precatórios têm gerado muitos escândalos mas a memória não registra gente na cadeia por causa disso. E o que aconteceu em Natal, dá para imaginar que é apenas a ponta do iceberg. Que sabe o que se está desviando neste exato momento?
O que impressiona é a adesão de presidentes de tribunal, funcionárias, e a tranquilidade com que o casal gastou o dinheiro, sem se importar com os sinais exteriores de riqueza, que são um indício muito claro de que alguém está gastando muito além do seu salário no serviço público. E aí, a gente recorda a manifestação da corregedora do Conselho Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, de que há bandidos escondidos sob a toga. O então presidente do Supremo leu nota de repúdio do Conselho à declaração da ministra. Mas episódio de Natal mostra a que ela se referia.


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