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Opinião

15/08/2012 00:00

Silvícolas e selvagens: Artigo de autoria do jornalista Alexandre Garcia

O IBGE acaba de anunciar os resultados do censo sobre os indígenas brasileiros. Um resultado que surpreende as ONGS que propagam no estrangeiro que estamos a exterminar os indios e até surpreende a FUNAI. A população indígena cresceu 205% desde 1991, quando foi feito o último levantamento no mesmo modelo. A diversidade é exuberante: 305 etnias e 274 línguas. São quase 900 mil brasileiros - desses, três em cada quatro com mais de 14 anos sabem ler e escrever. 36% deles estão em cidades. E 77% dos índios com mais de 5 anos falam português. O censo não conta os milhões já miscigenados, como é de sangue misto a maioria da população.

O impressionante é que o IBGE revela que existem 505 áreas indígenas na superfície total de 106 milhões e 700 mil hectares. Isso equivale a mais do que o dobro da área nacional em que se vai colher neste ano o recorde de 166 milhões de toneladas de grãos: 51 milhões de hectares - são dados do Ministério da Agricultura. A área que produz grãos equivale a 6% da superfície nacional; as terras indígenas são 12,5% do território brasileiro - onde moram, segundo o censo do IBGE, 517 mil e 400 índios. Ao contrário do que denigrem as ONGS, há etnias, no censo, julgadas extintas, como os Tamoios no Rio de Janeiro e os Charruas no Rio Grande do Sul. Os Ianomâmis, motivo de tanta celeuma por uma reserva na fronteira norte, são apenas a sétima étnia em número de indivíduos: 22 mil. Os mais numerosos são os Ticunas: 46 mil. Eles estão no Amazonas, fronteira com Colômbia e Peru e também falam espanhol.

O IBGE lança luz sobre os números indígenas e permite que se perceba, também, a diferença entre o trabalho que se faz de proteção aos indígenas e o trabalho que se faz usando os indígenas. Há interesses de mineraçãp, de extração vegetal, de reserva vegetal biogenética e por aí vai. Recentemente - informa a Veja desta semana - descobriu-se que um procurador do Ministério Público vinha incentivando os índios a invadir os canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte. Segundo a revista, os índios, influenciados pelo promotor, por padres e por ONGS entregaram uma lista exigindo, para sair, 250 casas com eletricidade e wi-fi, 30 camionetas Hilux automáticas, 300 cabeças de gado nelore e gir e pista de pouso nas 30 aldeias da região. Agora cada tribo vai receber 30 mil reais por mês para manter o canteiro de obras desocupado.

Perante a lei, os índios não são iguais aos demais brasileiros. São tutelados pela FUNAI. Há um mês, um caminhão com madeira acidentou-se numa BR do Paraná. Índios chegaram por lá e levaram a madeira. Descobriu-se que o caminhão transportava droga, escondida dentro da madeira. Pois a polícia rodoviária foi aos índios propor que entregassem a droga e poderiam ficar com a madeira. Em país civilizado, policial não tem esse arbítrio; só um juiz pode confiscar a carga usada para crime e doá-la. Sem o império da lei, é selvageria. Mas, afinal, índios são silvícolas, mas não selvagens. Selvagens somos nós, que não obedecemos as leis e que nos assassinamos à razão de 150 mortos por dia - sem contar mais do que isso no trânsito.


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