Juara (MT), 22 de março de 2019 - 00:37

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15/03/2019 09:52 Rádio Tucunaré/Acesse Notícias

Homem acusado de feminicídio contra Izabel e de tentativa de homicídio vai a júri popular em Juara. Leia os depoimentos

Marcelo Sales Pereira, acusado de matar a ex-companheira, Izabel Aparecida do Amaral e de tentar contra a vida de seu namorado Magno Aparecido Reato, será levado para julgamento pelo tribunal de júri.

O juiz da 3ª vara criminal do Fórum da Comarca de Juara, magistrado Dr. Pedro Flory Diniz Nogueira acatou a pronúncia do réu, oferecida pelo Ministério Público da Comarca, representado pela promotora de justiça Dra. Roberta Cheregati.

A sentença de pronúncia foi publicada no dia 23 de janeiro de 2019, isso significa que existem indícios de um crime doloso contra a vida e que o acusado pode ser o culpado e que, por se tratar de um crime doloso contra a vida, o processo será julgado por um tribunal do júri e não por um juiz sozinho.

A ação penal foi proposta pelo Ministério Público em desfavor de Marcelo Sales Pereira pela suposta prática dos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio. O acusado utilizando um facão desferiu golpes no pescoço de Izabel quase degolando a mesma e Magno foi atingido no braço, abdômen e no joelho.

De acordo com a denúncia, no dia 07 de fevereiro de 2018, por volta das 23h00, na residência localizada na Rua Sérgio Buarque de Holanda, no Bairro Ubirajara, o denunciado, em situação de violência doméstica, matou sua ex-companheira Izabel Aparecida do Amaral, por meio cruel, imbuído por motivo torpe e utilizando-se de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Consta ainda, que nas mesmas circunstâncias acima mencionadas, o denunciado Marcelo, tentou matar Magno Aparecido Reato, namorado de Izabel, por motivo torpe e recurso que dificultou sua defesa, somente não consumou por circunstâncias alheias à sua vontade.

A data do júri ainda não foi marcada, o acusado se encontra preso por força de um mandado de prisão preventiva e aguarda o julgamento.

Leia o que a vítima sobrevivente, Magno Aparecido Reato, relatou sobre os fatos:

“Que estava namorando com Izabel fazia um mês aproximadamente; Que na data dos fatos o declarante foi até Juara resolver umas coisas e passou na casa dela; Que ficou até meio tarde lá e ela pediu para que o declarante posasse na casa dela; Que ficaram na casa da mãe dela e depois foram para a casa dela; Que ela fez a filha dormir; Que tomaram banho e estavam deitados no quarto conversando; Que escutaram um barulho de uma porta batendo; Que o declarante até assustou, mas Izabel disse que não precisava ter medo, pois era a porta do banheiro; Que segundos depois, escutaram uma segunda batida e já viram quando o réu apareceu na porta do quarto; Que até o momento o declarante não sabia quem era e pensou que fosse um assalto; Que levantou e foi perceber que era o réu, quando Izabel levantou e foi atrás dele dizendo o nome dele, Marcelo; Que Marcelo empurrou ela (Izabel); Que o réu ficou de frente com o declarante e o declarante estava entre o guarda-roupas e a cama; Que ela gritava perguntando ao réu “o que ele tava fazendo”; Que o denunciado empurrou ela para cima do berço e foi para cima do declarante; Que viu que ele possuía uma lâmina na mão; Que ele veio em cima do declarante e lhe desferiu o primeiro golpe que lhe acertou o braço; Que o declarante recebeu cerca de setenta pontos; Que quando ele desferiu esse primeiro golpe, estava encurralado e só conseguiu se virar, acertando seu braço; Que achou que acertaria seu rosto; Que após esse golpe, Izabel puxou o réu pela camisa e este a empurrou novamente; Que o réu veio novamente para cima do declarante e então tentou reagir e foi para cima do réu; Que caíram no chão e se embolaram, não sabendo dizer com precisão o que aconteceu; Que então recebeu o segundo golpe na barriga, perto do peito; Que então o declarante ficou sem reação, sem saber o que fazer mais, nem conseguiu fugir; Que nesse meio tempo gritou para que Izabel corresse e ela também pedia para que o declarante saísse; Que na casa só tinha uma porta de saída; Que quando conseguiu levantar e empurrar o acusado, este lhe deu o terceiro golpe no joelho, que gerou uma lesão de um palmo aproximadamente; Que gritou para ela correr; Que o declarante saiu correndo e caiu na área; Que não conseguia mais ver nada e ouvir nada; Que conseguiu levantar e foi saindo devagar, se segurando; Que sentiu algo caído no corte da barriga e já ficou com medo de ser algum órgão; Que olhou para trás e não viu nada; Que na sua cabeça Izabel tinha saído da casa; Que tinha quase certeza que ela tinha saído; Que achava que o acusado tinha ido na casa para matar o declarante e que nunca faria nada com ela; Que foi saindo e o portão estava cadeado; Que ainda conseguiu subir na antena e se jogar do outro lado do muro e foi andando até conseguir ajuda, pois não conseguia fazer mais nada, nem se defender; Que ficou com medo de ele ir atrás do declarante; Que o declarante primeiro se escondeu atrás de uma moita em um terreno baldio que tem na frente da casa da Izabel; Que estava sangrando muito e por não saber o que aconteceria, se alguém tinha chamado a polícia ou ambulância, decidiu atravessar o terreno e sair na quadra de trás; Que por estar ferido, achava que o réu ainda viria atrás do declarante para terminar o serviço; Que acredita que tenha andado umas quatro quadras, sem conseguir ajuda pois era tarde da noite; Que conseguiu chegar em um salãozinho em que tinha umas pessoas conversando; Que ficou com medo de falar que era uma tentativa de homicídio e as pessoas negarem ajuda, com medo de o réu vir e fazer algo, então decidiu falar que tinha sido assaltado e pediu que eles por favor acionassem a ambulância; Que estava nu e o homem que lhe ajudou trouxe algo para vestir; Que então chegou a ambulância e lhe socorreu; Que não conhecia o réu; Que ele era ex-marido da Izabel; Que depois foi mostrado uma foto dele e o declarante o reconheceu; Que depois ficou sabendo o que aconteceu com a Izabel; Que o declarante ficou cerca de uma semana internado; Que não ficou com sequelas, mas sente dores até hoje; Que a casa só tinha uma porta para sair e para isso tinha que passar pelo réu; Que o réu já tinha morado nessa casa e conhecia o espaço”.

O acusado, Marcelo por sua vez, fez o seguinte relato:

“Que por um período de tempo de aproximado de sete anos diz ter sido casado com Izabel Pereira do Amaral, tendo dela se separado de fato em 25/12/2017, e se divorciado em 29/01/2018. Que alega que apesar da separação de fato e de direito, ainda costumava encontrar-se intimamente com Izabel, na residência desta, durante os períodos noturnos, e que tais encontros eram mantidos clandestinamente, dado que Izabel não queria que ninguém soubesse que ainda estava se encontrando consigo. Que em horário aproximado das 23 horas do dia 07/02/2018, como de costume diz ter ido até a casa de Izabel para se encontrar com ela e assim que lá chegou diz que por ter encontrado a porta da casa dela fechada, forçou aquela abertura com a força física do próprio corpo e adentrou na casa, dirigindo-se para o quarto em que dormia com Izabel. Que diz ter encontrado Izabel acompanhada de um homem que diz não conhecer e nem saber quem seja ou onde possa ser encontrado e tendo em vista que os encontrou totalmente despidos, diz ter ficado surpreso com a cena que viu. Que alega que assim que perceberam sua presença tanto Izabel quando o referido homem investiram fisicamente contra si derrubando-o no chão da cozinha. Que era de seu conhecimento que abaixo da pia da cozinha havia um facão e no intuito de se defender diz ter se apoderado de tal instrumento e passado a desferir contra o homem. Que em dado momento diz ter desferido golpe com a lateral do facão contra o rosto de Izabel e que alega que não teve intenção de usar o facão de maneira a cortar o corpo de Izabel. Que percebeu que o home nu saiu correndo porta à fora e que então diz ter visto que Izabel apresentava intensa hemorragia”.

Em Juízo, Marcelo Sales Pereira, disse que apesar de ter se separado de Izabel continuava se encontrando sem que os familiares soubessem. Com relação ao que ocorreu no dia do fato o acusado disse que sustenta a versão dada em sede inquisitorial e somente falará novamente sobre o ocorrido em eventual sessão de julgamento.


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