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Economia

07/09/2019 05:43 R7

Inadimplência entre idosos cresce com menor ritmo, diz pesquisa

inadimplência entre idosos cresce em ritmo mais lento no Brasil. É o que mostram os dados do SPC Brasil, enviados ao R7. Segundo o levantamento, a taxa de inadimplência cresceu 7,44% em julho deste ano, frente a 10,9% no mesmo período de 2018 para pessoas de 65 a 84 anos. A média nacional foi de 1,73%.

Já para o grupo de 85 a 94 anos, o crescimento foi de 6,41% em julho deste ano e 7,9% no ano anterior, enquanto a média havia sido de 4,3% — veja mais dados abaixo. Estes são os números mais recentes divulgados pelo órgão.

A professora da Escola de Negócios da PUC-Rio Graziela Fortunato explica que os principais motivos para os idosos serem os mais afetados pela inadimplência são o desemprego de pessoas da família, emprestar o nome ou realizar empréstimo consignado para terceiro, já que a taxa para aposentados é mais baixa.

Além disso, a inflação é outro ponto de atenção, que prejudica os idosos e “atinge principalmente os remédios, que são produtos bem usado pelos aposentados”.

O professor dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) Pedro Leão Bispo diz que a inadimplência dos idosos está intimamente ligada à mudança da estrutura da família brasileira. “O aposentado está sustentando a família. Ainda temos adultos de 30 anos morando com os pais. Anteriormente [estas pessoas] criavam uma nova célula família, hoje não”, afirma.

Para Leão, o dinheiro da aposentadoria, que deveria ser utilizado para o conforto do idoso, passa a ser aplicado no pagamento de contas de terceiros, além das próprias despesas.

A doutora em psicologia social e especialista em psicologia econômica Vera Rita Ferreira diz que, muitas vezes, o idoso não quer perder o afeto dos familiares. A pessoa pode ser impulsionada por pena das pessoaas próximas desempregadas ou por sentir necessidade de ajudar quando é fisicamente dependente. 

"Ele [o idoso] fica vulnerável, porque depende dos familiares e sente que não pode simplemente dizer não. Se sente na obrigação de tentar ajudar" afirma Ferreira. Em outros casos, não há dependência física, mas quer "proporcionar presentes para os familiares". 

Os idosos são constantemente assediados por instituições financeiras para adquirirem empréstimos consignados. "Independentemente da idade, existe um otimismo excessivo, que não vai ter risco, que pode pegar aquele crédito, que depois vai dar conta", afirma Ferreira. 

 

Ritmo menos acelerado

Um dos motivos para o crescimento em menor ritmo da inadimplência, para Leão, é a restrição do crédito. “As pessoas ficam receosas de se comprometer, porque não têm expectativa de pagar”, afirma.

Fortunato diz que “a economia está se recuperando em um ritmo muito lento, mas isso pode ser um dos pontos que reduz a inadimplência dos idosos”.

A superintendente da Cercred (Central de Recuperação de Créditos e Coimbra & Ferreira Advogados Associados), Camila Viana, diz que a facilidade para conseguir um empréstimo consignado pode ter influenciado no cenário de redução do ritmo da inadimplência. “Tenho observado um crescimento da negociação por parte deste público”, afirma.

Como idosos podem evitar a inadimplência

Para Fortunato, é essencial aprender a dizer não. “Isso é difícil, mas é uma forma racional de evitar problemas lá na frente de inadimplência se a renda não é suficiente nem para ele [idoso]”. A professora também orienta que os inadimplentes façam controle das contas, reduzam a compra de itens supérfluos e mudem hábitos de consumo.

A especialista em psicologia econômica Ferreira diz que devido a dependência e a necessidade de afeto, aprender a dizer "não" não resolve de fato o problema.  Para Ferreira, uma solução mais eficaz é que as insituições expliquem melhor as taxas e condições do consignado antes da disponibilização do crédito, além de maior fiscalização do governo. 

Leão afirma que o idoso, em sua maioria, aposentado, não consegue aumentar a renda e, por isso, se torna mais difícil reverter a inadimplência por conta própria. Para ele, as únicas alternativas são gastar menos ou pedir ajuda a familiares.

Viana afirma que os mais velhos são os clientes “mais fáceis de negociar”. “Na maioria dos casos, lembram da dívida. Eles sabem o que é, mas só negociam, de fato, se tiverem a garantia de que realizarão o pagamento”, diz.

“Quando o aposentado se depara com uma dívida, ele vai fazer de tudo para resolver. As pessoas mais antigas, não é que tenham mais educação financeira, mas eu acho que tem uma preocupação de ficar dependente de banco maior do que os mais novos”, afirma Fortunato.


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